terça-feira, 30 de outubro de 2012

Primeiros desafios

Bom... Recapitulando...  Com horários diferentes comecei a correr sozinho, pois o Ivan trabalhava em turno diferente. Comprei um tênis, dois shorts e uma regata, e assim comecei a encontrar a felicidade de correr. Mas... A vida me deu outra grata surpresa... Tive que fazer uma cirurgia gastro intestinal. Fiquei meses parado e aumentei mais ainda meu peso.

Após um mês sem fazer esforço algum e mais dois meses para cicatrizar a cirurgia, voltei aos treinos buscando emagrecer. Nessas alturas, estava obstinado apenas a perder peso. A única coisa que não entendi era o porquê de não dormir a noite nos dias de treino, tomado de uma cólica estomacal insuportável que não me deixava dormir e era a responsável por me fazer rolar de dores no chão da sala em plena madrugada.

Apenas para ilustrar, comecei a correr com o Ivan em meados de junho de 2010, operei em dezembro e voltei a correr em fevereiro de 2011.

Após idas e vindas ao hospital Unimed durante as madrugadas afora, tomar buscopan na veia, finalmente descobriram que eu estava com a vesícula inflamada e cheia de cálculos. O Motivo de doer tanto após a corrida, é que com o balanço do corpo as pedras se moviam e com o acúmulo de liquido biliar causavam as cólicas infernais. Outra cirurgia marcada...

Em maio de 2011 fui operado, e mais uma vez Deus abençoou as mãos dos médicos. Sobrevivi a mais uma intervenção cirúrgica com sucesso.

Meu peso aumentou e agosto de 2011 retornava as corridas. E foi que em setembro, num despretensioso jogo de futebol rompi parcialmente os três ligamentos do meu tornozelo esquerdo. Seria o fim????

Como diz o bordão, "sou brasileiro e não desisto nunca". Um mês com o pé imobilizado e mais três para me recuperar. Era o fim de 2012 para mim, e só retornaria em 2012 aos exercícios. O guerreiro estava abatido, porém vivo!

Com todos esses contratempos o meu peso foi para na lua. Com 114 kg não queria saber de fazer nada além de tomar cerveja todos os dias após o trabalho, e descontar todo o meu stress em comidas extra calóricas.

Se antes minhas roupas já não serviam, nessas alturas nem as novas serviam direito. Ficavam sempre com caimento horrível, nunca encontrava a peça que gostei no tamanho de uso, situação depressiva.

Como se não bastasse à autocrítica, era obrigado a ouvir piadinhas de mau gosto, e o famoso "nossa... como você engordou" quando meus amigos de faculdade me encontravam. Autoestima não existia mais, e num dado momento cheguei ao final da rua, na qual tinha apenas dois caminhos a seguir, que era o do conformismo ou da mudança. Escolhi mudar, e prometi que iria vencer a tudo e a todos!

O ano terminou, e dia 2 de janeiro estava eu na área de lazer para cumprir minha promessa. Comprei um Mizuno zuado, um monitor cardíaco Oregon que mais errava nos batimentos do que outra coisa e fui à luta.

Comemorei demais meu primeiro km e quando comentava que havia começado a correr, mais piadinhas. "Vai gordão, cuidado pra não rachar o chão", "você correndo? Desista" e mais inúmeras que prefiro nem me lembrar. Um dia comentei que meu sonho e desafio seria o de correr a São Silvestre no final do ano. Alguém que ouvia soltou uma bela gargalhada, encheu o peito e em alto e bom som anunciou: "Se esse gordo correr a São Silvestre eu pago um churrasco pra todo mundo". Desafio aceito. Nunca, mas nunca desafie alguém sem antes conhecer sua tenacidade.

No final do mês estava conseguindo correr 6 km, quanta alegria. Inscrevi-me para uma prova de 10 km na cidade de Limeira. Loucura total.

Os dias passaram e a paixão pela corrida começou a brotar. O intuito de emagrecer ainda continuava, porém a ideia de correr por si só já me animava. À medida que o tempo passava, senti a necessidade de procurar uma assessoria. Foi quando encontrei meu atual treinador a amigo Rogério Cardoso de Barros. Perguntei se conseguiria fazer a prova de 10k, e tive a resposta positiva, porém sem metas a respeito do tempo.

E lá fui eu, uma prova árdua, com uma altimetria bem complicada, principalmente para um iniciante. Após altos e baixos, pouco mais de 7 km de subidas e descidas e 1:09:42  de tempo de prova (tempo bruto) estava comemorando muito, e curtindo minha primeira prova de rua. Emoção demais.

As pessoas que conversei, a camiseta da prova que tanto queria vestir, a medalha, as fotos no portal, cruzando o pórtico, as pessoas que conheci, muita alegria e realização em um dia só.

A partir daí, a corrida tornou-se minha paixão, meu vício e minha mania.

Finalizo esse post deixando uma frase que muito me motiva:

"Corro, porque encontrei na corrida a melhor metáfora da vida. Porque dói, tem que se esforçar, mas no final compensa" by Lucho Runner

 minha primeira linha de chegada

domingo, 28 de outubro de 2012

Breve apresentação

Antes de tudo,  gostaria de falar um pouco da minha história de vida, para depois relatar como a corrida entrou e mudou minha vida!

Bom... Tenho 28 anos, sou Analista de Suporte e moro com minha mãe e duas irmãs!

Nascido em Piracicaba, minha vida começou em um patamar financeiro e aos 10 anos de idade tudo mudou! O mundo que eu viva simplesmente não existia mais e a vida começou a me ensinar que altos e baixos existem.

Passamos durante um bom tempo um "perrengue dos brabos", não por simplesmente não poder manter o luxo em que vivia, mas por chegar a passar necessidades e ter de ser sustentado por doações de parentes. Dessa época, a maior lembrança é que minha mãe não tem mais aliança de casamento por ter vendido para comprar comida!

Um exemplo a ser seguido, minha mãe com diploma de Unicamp, foi trabalhar de faxineira! Mas... Tudo isso valeu a pena! Um dia tudo mudou e as coisas entraram no eixo.

Fato é que aprendemos a nos virar, cada um seguiu seu caminho, buscando o que seria melhor. Com muitas dificuldades, estudamos frequentamos uma universidade e nos encaminhamos na vida. Eu, o filho mais velho cursei administração de empresas (depois migrei para a informática), minha irmã do meio é professora de matemática, e minha caçulinha... Essa é um caso a parte... Ainda não decidiu o que será da vida!

Aos 22 anos o grande choque da minha vida. Perdi meu saudoso PAI! A vida me mostrava que as dificuldades que havia passado me serviriam para me fazer forte. Naquele dia me lembro como se fosse hoje, me sentia o mais forte guerreiro, o general do exército, percebendo que a batalha estava sendo perdida, porém com uma pose de vencedor, inabalável. Apesar das lágrimas escondidas, os sentimentos todos machucados, consegui ser o porto seguro para minha família.

Naquela manhã do dia 28 de janeiro de 2006, partia desta terra o homem mais FANTÁSTICO que eu pude conhecer! Alguém cuja história de vida era muito triste, digna de filme, pois como nos filmes o personagem principal venceu todos os obstáculos a ele impostos, e teve um final feliz com um sorriso emocionante no rosto. Como esquecer os sorrisos, as gargalhadas, as piadinhas, os conselhos, a amizade de Antonio Valdemir Sgrigneiro. Ainda não conheci, e não é porque era meu pai, mas acredito que não conhecerei ninguém igual. Querido por todos sem exceção, às vezes colhia os louros disso, e era bem quisto simplesmente por ser filho do Toninho. Por tudo que passou nessa vida, Deus nunca permitiu que a vida lhe tocasse a alma, descansou com a alma de um menino, um coração puro e intocável. Se me lembro dos seus conselhos? O que mais faço é isso... “Lembrar as lições que me ensinou, as frases que sempre saiam de sua boca...” Cocama (a forma com que às vezes me chamava de macaco), a humildade vem à frente da honra!”... “Cuide da sua vida, o que ele faz ou fez não diz respeito a você, cada um tem sua vida pra cuidar”!... " O Sr sabia e não me contou pai?”Não contei porque não tenho motivo parar isso, você não precisa saber e muito menos espalhar nada da vida de ninguém, apenas ajude quando puder, e se não puder não atrapalhe”!

Mas... De todas as lições, me lembro demais a que me ensinou em silêncio, sem nunca dizer nada a respeito. Ensinou-me a  nunca, mas nunca desistir, sem deixar que nada endureça o coração, e que a vida é mais fácil para os que amam, que perdoam e aceitam as situações ruins apenas como trechos de um aprendizado.

 Bom.. a partir daquele dia minha vida mudou. Tive que aprender a ser homem, e começar a tentar ser o que meu pai sempre quis que eu fosse, e até o momento eu não tinha aprendido.

Parei de beber (bebia de segunda a domingo), as festas de faculdade e republicas que frequentava todos os dias deixaram de existir, voltei a igreja e comecei a procurar trabalho.

Os dias se passaram, arrumei um trabalho, comprei um carro financiado em 60 meses e assim começou minha vida.

Nesse meio tempo, Deus colocou um anjo na minha vida, denominado Ivan Razera. Esse foi como um irmão mais velho, me ensinou muitas coisas e me deu oportunidade de trabalho. Fazia bicos de informática que ele me indicava. Aos poucos fui entrando na área.


Fiquei desempregado por um ano, mas Deus me ajudou que não atrasei uma parcela, sobrevivia apenas dos bicos e assim tocava a vida. Num dado momento, Ivan me chamou até sua casa, e fez o que talvez um irmão não me fizesse. Passou-me todos os seus clientes, que aos poucos ele havia colocado lá dentro. Não me cobrou nada, me deu de coração.

Prestei o vestibular para Segurança da Informação em uma universidade pública, passei e ali começava de vez a minha vida na informática.

Esse meu grande amigo havia prestado um concurso e precisava fazer uma prova física, foi quando me convidou parar correr com ele.

A essa altura do campeonato, já não era o mesmo de 2006, já estava gordo. Não tinha quase roupas, porque nenhuma me servia mais, e o que tinha para correr era um Adidas velho, duas camisetas (uma que ganhei quando me cadastrei no banco de doadores de medula óssea) e uma bermuda que ficava parecendo o chaves. Comecei de leve, correndo 500 metros, e ele com muita paciência foi insistindo comigo.

Um dia pensei... "vou ter um trabalho legal, e ainda vou comprar todos os equipamentos tops de corrida", esse era o desejo de alguém que corria sem a mínima condição de infraestrura.

Correndo pela manhã na Cia do Ivan, resolvi fazer algo diferente, levar meu celular comigo, coisa que nunca havia feito. Fui questionado, e pressentindo que teria uma surpresa, respondi para ela"Vai que alguém me ligue ". E não foi que alguém ligou... Uma amiga de faculdade me ligou a respeito de uma vaga em uma empresa de informática.

Mandei meu currículo, fui para entrevista, e era pra uma  vaga na área de programação. Como não gosto de programar, agradeci, mas meu atual diretor insistiu comigo e me perguntou do que eu gostava. Quando respondi ele disse que tinha essa área na empresa, e que havia gostado de mim, que me queria na empresa. Iria ver e me ligava. Quando fui parar a segunda entrevista, o gerente da área era meu grande amigo Vinícius, que até então me conhecia da faculdade, e sabia das confusões que eu criava. Fiquei temeroso, mas... Ele me deu o aval, e com isso começou nossa convivência diária, e nossa amizade cresceu muito.

Com horários diferentes comecei a correr sozinho, pois o Ivan trabalhava em turno diferente. Comprei um tênis, dois shorts e uma regata, e assim comecei a encontrar a felicidade de correr. Mas... A vida me deu outra grata surpresa... tive que fazer uma cirurgia gastro intestinal. Fiquei meses parado e aumentei mais ainda meu peso.


Bom. Acho que já me apresentei, se continuar, estarei entrando já na minha vida de corridas, e não terei o que postar semana que vem !!

Termino desejando uma ótima semana a todos, e sexta-feira estarei de volta!


114 kg