A prova mais difícil do ano não poderia passar em branco !!
Bom para começar, vou relatar que havia amarelado antes de ir. Devido a minha fasceíte quase não tenho treinado, tenho dado oportunidade para um novo Hobby, o pedal.
Devido ao alto nível de stress que tenho passado no trabalho, acabei perdendo algumas motivações. Relaxei na alimentação, sumi da academia e pra ajudar abandonei a corrida para tratar dos meus pés e joelho. Com tudo isso, e sabendo que os 21k em interlagos seriam muito punk, uma vontade enorme de fugir da raia apareceu. Por diversas vezes pensei se seria necessário enfrentar tal desafio, o que iria me acrescentar, se valia a pena sofrer tanto.. mas a paixão pela corrida e pela dificuldade falou mais alto.
Segui viagem, rumo ao autódromo com os companheiros Augustão, rafa, Valtinho e Marcos Fornazaro. Diga-se de passagem, como sempre uma viagem muito agradável, divertida.
Ao chegar no autódromo não tinha mais volta, e dei de cara com Rogérião, meu parceiro de pedal. animado como sempre, acompanhado da esposa Andréia e do filho Gabriel. Logo depois encontrei a Odila Noronha cheia de animação. Retiramos o chip e mal deu tempo de encontrar meu parceiro de equipe, meu coach Rogério.
Segui para os boxes pronto pra largar. Ali me fizeram cia Valtinho, Rafa e Gabriel. O senna narrando a volta em interlagos foi emocionante demais, afinal tinha o prazer de levantar aos domingos de manhã, e junto com meu pai assistir e vibrar com suas corridas. Talvez o grande ídiolo da minha geração.
O tradicional e sincero desejo de boa prova aos amigos, olhos marejados e a buzina anunciou a largada.. o TERROR estava começando.
Saí num ritmo tranquilo, esqueci de mudar meu garmin que estava configurado para o ciclismo, aó só acompanhava distância, velocidade média e tempo de prova. Saí correndo a média de 12 km/h, o intuito era tentar mantê-la, porém foi impossível. As duas primeiras voltas foram até que tranquilas. Subidas, descidas, sol escaldante, fui trabalhando o ritmo e o psicológico. Reduzia nas subidas, segurva nas descidas e acelerava na reta. Ao passar pela área de transição econtrava o parceiro Rogérião sempre animado, dando aquela força que sempre é bem vinda. Porém o desgaste começou a aparecer, a fasceíte também deu suas caras . Na terceira volta, além do cansaço uma inusitada supresa. Logo na primeira descida comecei a ter incomodo na panturrilha esquerda. Uma caibra resolveu aparecer. Tratei de pensar em outra coisa, diminui o ritmo e segui em frente. Dois minutos depois voltei ao meu ritmo e segui.
Parecia que tudo estava bem, que a Ayrton Senna não era o "Bicho Papão" que todos pintavam. Engano puro. A última volta foi o sofrimento puro. Meu cárdio estava inteiro, pois o ritmo estava abaixo do que estou acostumado, porém o resto... Meu corpo pedia arrego, muitas dores, exaustão enorme e aquela famos crise existencial, sobre o porque estar ali, e pra que fazer tudo aquilo. O bom é que todo corredor conhece bem esse momento, e sabe que no minuto seguinte tudo volta ao normal.Tentava disfarçar cantando minhas músicas favoritas. Com meu inglês "embramation" cantava em voz alta engnando a fadiga. O corpo pedia para caminhar, mas como a Odila havia me dito, o que manda é o psicológico, e a cabeça e o coração me mandavam continuar. Erguia os olhos e as mãos para o céu, agradecia por tudo e pedia ajuda para não desistir. E assim fui, completei o 20º km em 7:32minutos, por sinal o meu km mais lento, e quando olhei que faltavam apenas mais 2k (contando com a zona de transiçãO corremos 22km). Comecei a acelerar o passo pronto pra "ir pro abraço".
E assim passei o meu bracelete ao meu companheiro, meu coach e amigo Rogério. Ali terminava a missão, e com êxito. O tempo nos 21k foram 2:05:28, nos 22k, 2:11:50.
Deitei no chão com o intuito de me recuperar, porém meu corpo nunca tinha enfrentado tantas dores. Não conseguia me levantar. Era tomado por uma enorme dor nos posteriores e panturrilha. Como doía !
Com muito custo, cheguei a tenda que era destinada aos funcionários do Serasa. Estava com tantas dores que nem me atentei a esse detalhe. Fui me deitando na maca onde recebi um alongamento providencial. Só após descobri que não era aberta ao público a tenda.
Reencontrei a galera da Fit labore e foi só alegria !! Com as dores reduzidas o jeito era comer para repor as energias e comemorar muito, afinal era merecido.
Deixo aqui meus sinceros agradecimentos a todos que de uma forma contribuiram pra mais essa vitória. Companheiros que me incentivaram, torceram por mim e me deram a graça de ter as vossas cias.
Muito obrigado e ótima semana a todos !!



